Da perda total à referência mundial: a incrível história do algodão no Brasil

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Da perda total à referência mundial: a incrível história do algodão no Brasil

Quem olha para uma lavoura de algodão em época de colheita, pode imaginar que se trata de um cenário de sonhos: tudo branquinho, perfeito para uma boa foto, poético. Porém, por trás da beleza de uma plantação bem cuidada e produtiva está uma história que envolveu perdas e persistência dos produtores. O bicudo, uma das pragas mais temidas das lavouras, foi um grande divisor de águas na história do algodão no Brasil. E foi também graças ao imprescindível investimento em tecnologia que hoje somos o maior fornecedor de algodão responsável no mundo!

E pra entender essa trajetória fascinante, vamos do começo.

O BICUDO E A GRANDE CRISE DO ALGODÃO

O algodão tem uma história antiga no Brasil. Relata-se que os indígenas já tinham conhecimento e transformavam a fibra em fios e tecidos rústicos. Porém, foi em 1750 que o país descobriu o potencial comercial de sua produção agrícola, fazendo do algodão um verdadeiro ouro branco para a economia interna.

Até a década de 1980, o Brasil foi um dos maiores produtores e exportadores mundiais da fibra. E tudo ia muito bem, especialmente na região Nordeste, até que, no final da década, um inseto trazido do exterior causou uma infestação jamais vista nos algodoeiros.

Chamada de bicudo-do-algodoeiro, a praga se alastrou de tal forma que destruiu plantações inteiras na região Nordeste. Famílias perderam tudo e produtores se desesperaram com uma situação que parecia não ter solução. Entre 1981 e 1995, a área de plantio foi drasticamente reduzida em mais de 60% e 800 mil pessoas ficaram desempregadas. Ainda hoje ela é considerada uma das maiores pragas da cotonicultura mundial de todos os tempos.

Bicudo ataca a produção e não deixa a maçã (foto) evoluir para o capulho | Foto: divulgação Abrapa

E não foi apenas isso que destruiu a produção do algodão nacional. Nessa mesma época, os produtores enfrentaram drásticas mudanças nas políticas econômicas e comerciais e abertura maior à importação. Além de tudo, produtores e indústrias têxteis precisaram encarar a concorrência desleal dos produtos importados e muitos acabaram desistindo de seus negócios.

A RETOMADA DA PRODUÇÃO DO ALGODÃO

Foi apenas no final da década de 1990 que a cultura algodoeira conseguiu se reerguer. Nessa época, a produção foi retomada nos estados de São Paulo, Paraná e no Cerrado, especialmente, no estado de Mato Grosso. Posteriormente, o Nordeste também retomou sua produção algodoeira, mas foi superado pela alta competitividade das regiões do cerrado, que apostavam no sistema empresarial de gestão e tiveram uma surpreendente adaptabilidade das lavouras ao solo e clima.

Neste contexto, o Estado do Mato Grosso está há mais de duas décadas liderando a produção no Brasil. Hoje, ele corresponde a mais de 67% do total do algodão em pluma nacional!

Com a lição aprendida, hoje a imensa maioria das lavouras de algodão utiliza tecnologia de ponta e conta com a proteção de defensivos com uso responsável. Sem essas ferramentas de inovação, a produção de algodão pode ser prejudicada de 75% a até 100% pela praga bicudo-do-algodoeiro, causando enormes prejuízos financeiros, sociais e também ambientais.

ALGODÃO RESPONSÁVEL, REFERÊNCIA MUNDIAL 

Abrapa – Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – foi uma das grandes responsáveis pela retomada do algodão e seu desenvolvimento sustentável. A entidade, criada em 1999, passou a encabeçar a abertura de novos mercados e instituiu o ABR – Algodão Brasileiro Responsável.

Tal programa opera em benchmark com a Better Cotton Initiative (BCI), uma frente internacional de valorização e rastreamento da pluma que estabelece critérios de produção. Por sua vez, o ABR vai além e garante que o produto vem de fontes confiáveis e com práticas ainda mais sustentáveis. E isso quer dizer que o ABR certifica toda a produção de algodão sustentável do país seguindo os pilares de respeito social, ambiental e econômico.

Portanto, o grande objetivo do ABR é oferecer um produto que atenda a uma consciência global. Sua origem é ligada à dignidade do trabalhador do campo, às boas práticas de preservação do meio ambiente e relações econômicas justas e equilibradas.

Com todos esses esforços, atualmente a Abrapa é referência em organização e credibilidade entre as cadeias do agronegócio brasileiro. Junto a ela, o programa Algodão Brasileiro Responsável e o movimento Sou de Algodão colaboram para o avanço desta perspectiva positiva do mercado.

E ainda tem muito pela frente! Orgulhe-se do que é nosso, conheça a trajetória da sua roupa, estimule o consumo consciente. Grandes transformações sempre nascem de pequenos gestos.

via blog Sou de Algodão

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