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7º Encontra das Guardiãs. Confraternização e diálogo deram o tom

Foi em clima festivo – e ao mesmo tempo de alerta – que aconteceu o 7º Encontro das Guardiãs da Água na Moda, ocorrido em 04/12/2019 na Casa Casulo em São Paulo.

O evento AMPA DE PORTAS ABERTAS de fato abriu as portas para mais de 35 convidados e, ao mesmo tempo, abriu janelas para novos patamares da consciência ambiental.

Primeiro vamos falar da festa. A Casa Casulo foi a grande estrela nesse quesito, com seu espaço mais do que bonito: energizado. Sem falar nas delícias veganas servidas para o brunch, a Casa Casulo nos acolheu impecavelmente!  

Vamos relembrar os momentos de maior destaque da agenda do dia, as falas dos convidados e, no final, o ponto de vista de cada uma das empresas Guardiãs da Água na Moda.

Chiara Gadaleta abriu o evento abordando o pioneirismo e o protagonismo inquestionáveis do movimento A Moda Pela Água que se iniciou em março de 2019 e viu, ao longo do ano, uma série de iniciativas semelhantes acontecerem ao redor do mundo.

Primeiro palestrante do dia: Angelo Lima – Secretário executivo do Observatório das Águas “A questão da sustentabilidade hoje em dia não é mais apenas sobre as conformidades.”

“O passivo é muito alto, o índice populacional é crescente. Três milhões de criança ainda morrem de diarreia e os níveis de desigualdade são desumanos: 3 bilhões de pessoas vivem com menos de 2 dólares por dia.” Angelo destaca as seguintes ameaças:

  • A agricultura sem controle
  • Falta de projetos de infra estrutura, tais como energia elétrica e solar
  • O crescente desmatamento
  • O crescimento urbano desordenado
  • Anomalias de temperatura
  • Anomalias de chuva, principalmente em regiões metropolitanas
  • 40% perda de solo natural

Angelo aponta como uma perspectiva positiva ou “a única maneira de lidar com a complexa questão da água” são os COMITÊS DE BACIAS. Hoje, o Brasil conta com 233 Comitês e um contingente de 10 a 12 mil pessoas trabalhando com o tema, sendo que 49% da população encontra-se incluída nesse sistema de Comitês. O especialista alerta, porém, que “Precisa haver maior investimento na capacidade técnica dos profissionais que outorgam licenças de concessões de água.”

Quanto a iniciativa privada, faz as seguintes considerações:

“É preciso trabalhar para além dos muros da empresa, no sentido da ação coletiva.”

Angelo cita A PEGADA HÍDRICA e o conceito de WATER STEWARDSHIP como boas ferramentas para lidar com a questão e ainda, algumas macrotendências para os próximos anos:

  • Mais do que nunca é preciso um estado forte somado a uma sociedade forte.
  • Pensar em termos de um ecossistema aquático e não apenas para uso humano
  • Programas com metas e indicadores para favorecer o acompanhamento
  • Plano de segurança hídrica
  • Recuperação da INFRAESTRUTURA VERDE, ou seja desenhar um mosaico de programas e ações para o aumento, a recuperação e a conservação das áreas verdes.

Segunda palestrante do dia: Fernanda Arimura – Head of Engagement and Communications ONU Pacto Global

A profissional da ONU abre falando que a moda é um dos setores mais relevantes para o avanço dos ODS e que possui uma capacidade enorme de espalhar a mensagem do pacto positivo.

Ela cita a “virada” que a ONU deu quando o Sr. Kofi Annan, secretário geral no ano 2000, atuou no sentido de aproximar o setor empresarial da ONU.

“A força super poderosa e positiva das corporações e setor privado, que reunidos, representam a maior iniciativa do mundo, ultrapassando estados e países.”

Apoiada nisso, ela convida as empresas presentes a fazerem parte do Pacto Global. (Do qual nossa fundadora, Chiara Gadaleta é embaixadora.)

Fernanda apresenta slide com os 10 princípios do Pacto e avisa que “Esses valores são aliados dos negócios e não um ônus. Que eles podem e devem ser praticados por meio das atividades principais de cada companhia, por meio do negócio.”

 Ainda sobre o poder das empresas, a profissional destaca:

“As empresas têm o poder de influenciar colaboradores, consumidores, cadeia de fornecedores e poderes públicos.”

“A área de sustentabilidade não pode estar restrita a área de sustentabilidade, tem que permear toda a operação.”

“A sustentabilidade gera competitividade, que gera longevidade.” Fernanda cita também o conceito de sociedade VICA em que vivemos:

“Volátil, incerta, ambígua e complexa.” e que os ODS “Ajudam a encontrar um caminho”.

A especialista da ONU encerra divulgando resultados da campanha #aceiteestacaneta que convida empresas de todos os setores a contribuírem com o Pacto Global de modo que a temperatura da Terra não ultrapasse 1.5 C. Aqui no Brasil, o movimento, do qual a Chiara Gadaleta é representante, já possui 18 empresas comprometidas.

Terceiro palestrante do dia: Claudio Bicudo – CEO da H2OCompany

“Preservação da Amazônia é o foco total.”

“Só lição de casa não adianta mais. Reuso é importante, mas não é tudo.”

“O desmatamento da Amazônia diminui a quantidade de chuvas na metrópole.”

“A H2O Company trabalha com o método “Water Footprint” da Holanda, que divide a águas em três tipos ou pegadas:

Pegada Azul: Mede o volume das águas de rios, lagos e lençóis freáticos, usualmente utilizadas na irrigação, processamentos diversos, lavagens e refrigeração.

Pegada Verde: Se relaciona à água das chuvas, necessária ao crescimento das plantas.

Pegada Cinza: Mede o volume necessário para diluição de um determinado poluente até que a água em que este efluente foi misturado retorne a condições aceitáveis, de acordo com padrões de qualidade estabelecidos.

“Um fato muito positivo é que apenas 8% do algodão brasileiro é irrigado.”

Humberto encerra dizendo que atitudes como upcycling e reuso são sim, ações de impacto positivo e que quanto mais as empresas e a mídia investirem na educação do consumidor – que pode e deve lavar com menos frequências suas roupas, em especial a calça jeans – antes vamos enxergar os bons resultados dessas mudanças comportamentais.

Fórum final com representantes das empresas Guardiãs da Moda Pela Água:

ABRAPA: A profissional da associação se pronunciou a respeito das dificuldades que a Sou de Algodão encontra para comunicar informações importantes, porém tão complexas para o consumidor. Mas, entende o poder que a moda tem de difundir a mensagem da sustentabilidade. Poder e responsabilidade.

VICUNHA: A profissional de marketing contou que a preocupação com a escassez da água sempre foi um tema fundamental dentro da Vicunha, uma vez que a empresa possui unidades fabris no Nordeste, onde essa questão é crucial. Disse ainda que a Vicunha buscava um parâmetro para se auto comprar e ter uma ferramenta de gestão continua. E, acrescentou: “A integração da cadeia e o papel das Guardiãs em comunicar todo esse movimento, são fundamentais.”

FARM: Pedro contou que começaram o projeto do jeans RE-FARM há um ano atrás e que a ideia é se aprofundar na cadeia de todos os produtos.

 DAMYLLER: A empresa entende que já tem a lição de casa bem feita, em se tratando de uso consciente do recurso hídrico.  Aproveita para lembrar o ponto da longevidade das peças e diz que a Damyller está comprometida com a qualidade e durabilidade das suas roupas e que, no entender da profissional, já representa uma atitude sustentável. Jordana reconhece porém, a grande dificuldade que eles ainda encontram para unir design e sustentabilidade.

MARISA: A profissional de marketing relata que em 2010 a companhia foi acusada de trabalho escravo e que, desde então, a família proprietária vem se preocupando muito com o assunto. Sente dificuldade de se comunicar com público interno e cadeia de fornecedores que são ambos numerosos: 12 mil colaboradores e mais de 1500 fornecedores. Resultado de tudo isso é que hoje a Marisa possui um comitê de sustentabilidade e até lançou a primeira coleção sustentável da marca, com tecido eco da Vicunha.

ABIT: A profissional da associação destacou que, com mais de 60 anos de atuação, a ABIT sente a necessidade de revisar diversos processos e pontos de vista. Tais como: ter olhar atento para pequenas e médias empresas e para dentro de todo o setor, não apenas confecções.

Chiara encerra agradecendo a participação de todos, avisa que o movimento A Moda Pela Água ainda tem muito trabalho pela frente, seja para fechar o CICLO I, em março de 2020, seja para abrir o CICLO II, logo em seguida. 

 

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